Deixando o ninho

Sair da casa dos pais. Morar sozinho. Conquistar aquela tão sonhada liberdade que almejamos na adolescência. Aquele desejo de ser independente. Comer o que quiser e quando quiser, não ter horário para dormir, deixar a tolha molhada em cima da cama sem ninguém reclamar…

E apesar de àquela época não parecer, o tempo passou rápido. E este momento de vivermos sozinhos, alçarmos voo e mostrar a nossa capacidade de levarmos nossas vidas da maneira que achamos conveniente, chegou. E agora, o que fazer?

O trabalho começa a te estressar, as contas, essas não param de chegar. O cartão da academia, eita! Esse está intacto desde o dia que foi feito. E parece que você está pegando alguma coisa… gripe talvez? Qual remédio preciso tomar mesmo?

E os relacionamentos… Esses nem se falam! Cadê aquelas pessoas legais, companheiras, divertidas, e que realmente se preocupam com o bem das outras pessoas? Não te julgam pelas suas atitudes, mas tentam entender seus pontos de vista e te apoiar nas suas decisões. Será que elas não existem e eu que assisti à muitos filmes da Disney quando criança? Será que não frequentamos os mesmos lugares, ou não estamos nos mesmos aplicativos? Bom, mas isso já é conversa para outro dia…

E todos os planos que fazemos para quando este dia finalmente chegar… Mas o que deixamos de perceber é que não será um dia de liberdade, de sermos donos do nosso próprio nariz. É uma vida inteira, e onde, a partir deste momento, começamos a nos moldar como pessoas, como vizinhos, como membros ativos de nossa sociedade. Passamos a ser responsáveis pelas coisas legais como comer o que quiser e quando quiser, até coisas nem tão legais, e que nem sempre sabemos como lidar, como lavar a roupa, fazer compra do mês do mercado, e se preocupar com coisas como IR, IPTU, IPVA, seguros…

E são nesses momentos que a saudade bate, o coração aperta e fica pequenininho. Aqueles dias, tarde da noite, que você cansado, repensa e revive todos os momentos difíceis, e onde tem vontade de jogar tudo para o alto e voltar para o conforto do colo dos pais.

Mas são nesses momentos, os mais difíceis, onde nada parece dar certo, que você consegue ver seu crescimento. Que não é mais aquela jovem de 18 anos com uma ânsia de caminhar com as próprias pernas, fazer as coisas por si mesma, tomar suas próprias decisões e ver onde tudo vai dar. Hoje já é uma pessoa madura, que enfrenta os desafios cotidianos e que luta suas próprias batalhas. E sabe que, o fato de conseguir fazer isso sem recorrer a outros, mostra o quanto já cresceu.

Morar sozinho não é fácil e pode não ser tudo aquilo que você imaginou anos atrás. Mas é como você aprende, como você cresce e como você, diariamente, com pequenas atitudes, decide como viverá a sua vida. E um dia, ao olhar para trás, não irá se arrepender dos erros que teve, mas se orgulhar de suas conquistas, pois todas vieram de seus esforços, suas escolhas e sua coragem de enfrentá-los sozinho.

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